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Maus (ou como as vezes o mais simples é forte demais)

Novembro 4, 2009

Maus

Esse dias eu li Maus. Havia muito tempo que eu ouvira falar dessa HQ, muito tempo mesmo. Nunca tinha lido, nunca tinha nem visto um exemplar assim, nas mãos.

Trabalhei, semana passada, na HQMix Livraria ali na praça Roosevelt, foi bem bacana, se me permitem um parênteses: O Gual e a Dani são duas pessoas maravilhosas e apesar da correria que foi fazer tudo, foi lindo demais! Mas divago… Aí tava por lá, e me apareceu o Maus ali na estante (em inglês – Que trabalho que deu pra ler os nomes das cidades polonesas em inglês!). Peguei e deixei ali, no canto, para ler quando desse. Entre uma coisa e outra, um telefonema e outro eu devorei aquele catatau que é a edição que reúne todo o material em um único volume.

Acho que o título foi uma das coisas que me deram curiosidade para ler, afinal que diabos é “Maus”? O meu conhecimento em alemão é menor que zero, pois seria só pensar um pouco, lembrar que inglês e alemão são línguas parentes, procurar um cognato e chegar a conclusão simples: Maus é Mouse, rato! Que óbvio (obrigado santíssimo Google e sua infinita sabedoria.)

E para quem não entendeu: Rato era como os nazistas caracterizavam os judeus, não era só xingar de rato (o que seria muito simples para o mestre da propaganda): A associação era física E simbólica! Uma caricatura clássica da época (que não encontrei por aqui e não estou afim de entrar em site nazi para procurar) trazia um judeu contando dinheiro na mesma posição que um rato segura um grão quando come. A associação como expoliador e ladrão não poderia ser mais clara! Uma exagerada nas feições judias tornava a coisa um tanto quanto mais “crível” e pronto: Judeus são iguais a ratos.
Coisifique, torne menos que humano, menos que gente, torne seu inimigo algo digno de uma morte cruel, digno de Auschwitz-Birkenau! Essa lição todos os líderes bélicos aprederam bem, não? Mas divago…

Beleza, então a gente abre e tem aquela primeira página aterradora: Um menino reclama dos amiguinhos com o pai e ele manda ele se trancar num quarto sem comida com eles, e aí descobrir quem são seus amigos de verdade! Porra, quem fala isso para uma criança? Que pai é esse? Ele não está errado, mas que tabefe! A resposta virá logo: O pai, duro feito rocha, é um judeu polonês que sobreviveu a segunda guerra. MAIS do que isso: O velho sobreviveu a Auschwitz-Birkenau! Pára tudo que eu quero descer: O véio sobreviveu a isso? E tá ali serrando uma tábua na maior? Eu mal consigo sobreviver a Sé as 18h, esse velho ganhou meu respeito.

E é daí pra frente que a coisa entorna: Um homem bem de vida, trabalhador, bem casado, negociante, vai vendo o cerco apertar, a ratoeira se armar e aos poucos começa se sentir um rato, a viver com ratos. O relato de Vladeck (o véio do autor, o sobrevivente) sobre a vida pré guerra, o amor dele por Anja (a mãe do autor, morta na época que ele escreveu isso) é assombroso pela realidade que ela contém: Ele não é um homem bonzinho, um santo! Pelo contrário: é mesquinho, egoísta, implicante e racista contra negros! é um homem de verdade, com defeitos, com problemas, com dificuldades de adaptação e cheio de cicatrizes.

Existem algumas coisas de muito, muito bonitas nessa história em meio a tanto horror: O medo do autor de não diminuir, em não retratar com “sauvidade” a realidade, a vontade de ser fiel e fazer um bom trabalho resgatando e preservar a memória de um pai que ele não ama, com o qual tem pouco contato e carinho e ainda sim admira profundamente. O pai dele ao dar ao filho um relato que devia ser algo mais que doloroso, o relato de fatos que o desumanizaram, que o lezaram extremamente, o relato de atos que ele não se orgulha, de atos que ele fez porque tinha que fazer para sobreviver, porque não houve escolha! Foi preciso força para sobreviver a isso, e foi preciso muito força para que ele se dispusesse a relembrar e contar tudo isso ao filho (é bonito também que ele prefere falar desse assunto a não ter o filhor por perto, para ele é melhor relatar essa dor enorme a perder o pouco contato que tem com o único filho que ele tem). E por último o amor de Anja e Vladeck. Tudo que esse homem fez pela esposa, tudo o que ele suportou e superou para que sua mulher também sobrevivesse é, no mínimo, heróico. é uma linda história de amor que dá os momentos mais líricos, mais sofridos e mais bonitos do livro todo.

Chorei profundamente ao ler tudo isso, chorei talvez porque aquela história que aprendemos na escola, aquela história que nos dá dados, que nos dá locais e estatísticas se tornou próxima e humana, demasiada humana naquelas páginas.

Não foi fácil concluir a leitura, ao mesmo tempo em que era impossível não ler aquilo até o fim. É uma idéia que de tão simples, tão óbvia de ser feita, só ganhou força com as imagens em preto e branco, com a antropomorfização dos povos ali retratados. Os ratos retratados nos lembravam o tempo todo o processo todo que desembocou em Auschwitz-Birkenau, que resultou no Holocausto. Nunca entendi o revisionismo e a negação do mesmo, acho um crime terrível fingir que isso não aconteceu! E imagino como o Vladeck reagiria se alguém dissesse a ele que aquilo ali era tudo mentira, que tudo o que ele passou nunca aconteceu e que ele mentia! As tatuagens em seu braço, as tatuagens em sua memória são prova mais que suficiente para mim.

Maus ganhou o Pulitzer, recebeu reedições e se depender de seu criador nunca será um filme (alguém de bom senso). Maus entra em 10 de cada 10 listas de melhores quadrinhos da história (que não tratem apenas quadrinhos como superheróis ou infantis). É um senhor livro, uma literatura documental visceral e fabulosa. Mas mais que tudo, maus é envolvente e tocante. Ratos, gatos, cães, porcos, sapos e peixes (cada um representando um povo) se mostram mais humanos que muitas pessoas de verdade que eu venho conhecendo nos últimos tempos.

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Balanço Geral – Sustentável 2009

Agosto 14, 2009

Depois de falar de comida, das leituras, das estrutura do local, encerrarei a cobertura fazendo um balanço geral do congresso, ok?

Organização

Essa foi impecável: informações precisas, disponibilidade de dados, site rápido e simples. Tirando alguns pequenos atrasos, e a minha infiltração desapercebida em qualquer lugar, nada de mal rolou.
Cabe aqui dizer o que eu alardeei milhões de vezes no twitter: Eles escolheram os Doutores da alegria para fazer a recepção do congresso, e isso foi simplesmente a melhor sacada que eu vi em congressos do tipo. Muito bom mesmo.

As plenárias

Por onde começar?
Bem, as plenárias, dia a dia, foram absolutamente geniais: um convidado melhor que o outro. Tirando uma propaganda aqui e outra ali. E algumas posturas inflexíveis e contra producente dentro da proposta do congresso, muitas boas idéias surgiram na minha frente pela primeira vez, muita coisa rolou de bacana.
A organização prometeu disponibilizar todas as apresentações, estou esperando ainda. Tem MUITA coisa que vale a pena quebrar a cabeça e ler mesmo,
Não eram debates, o que talvez eliminasse algumas escrotisses que rolou, mas talvez inviabilizasse algumas coisas. Eram plenárias, ou seja: Os caras iam lá e discursavam, falavam sobre seu trampo e no caso da BASF e da Coca-cola: vendiam o seu peixe como amiguinhas do meio ambiente e bla bla bla.
Devo dizer que essa não foia regra: a maioria dos que estavam ali eram realmente pessoas que fizeram algo, que propunham algo novo, que eram ousados e tentavam mudar ao menos um pouco da cultura de lucro imediato e irrestrito e dane-se se há consequências.

Um parenteses de análise

Ao meu ver, há sim uma preocupação genuína com uma reorganização econômica, existe sim uma preocupação em adotar uma postura menos escrota por parte do empresariado (que eram os plenaristas) em modificar sua forma de ação dada a nova situação dos meios de geração de riqueza no mundo. Vamos organizar as idéias ok?

Economia significa muito mais que dinheiro em si. Economia é a forma que os seres humanos encontram de administrar suas riquezas, de produzí-las e distribruí-las. Pensar qualquer ação no sentido de sustentabiliade ou qualquer outra forma de reorganização da produção/ modo de vida da humanidade é sim repensar a sua economia. Exemplo simples e raso é a “crise” econômica atual: Parou-se de produzir riqueza e passou-se a emprestar e reemprestar dinheiro aqui e acolá. Dados transitavam de contas em contas e a usura garantia lucros aburdos. O que foi produzido nessa cadeia? Nada. Daí que quando os dados param de alimentar o sistema, ele não tem matéria pra se apoiar: Faliu bancos mais bancos, imobiliárias e o cacete a quatro por que não havia bens, não havia nenhuma pensamento por trás disso a não ser o do lucro irrestrito. Sinceramente? Eu acho é pouco, a crise sim poderia se alastrar de derrubar todo capital especulativo, e forçar uma mudança mais profunda que estatizar bancos…. mas divago.
O empresariado presente ali estava interessado em um única coisa: modificar essa predatismo. Não são anjos tocando harpa, não são monges bondosos e nem hippies: Eles possuem um preocupação, genuína ao meu ver, de construir uma nova forma de produzir riquezas. Nenhum deles sequer pensou em falar em projetos que não dêem lucro, nenhum deles vai fazer isso, são empresários e projetos que dão prejuízo são um tiro no pé.

A discussão era em outro nível que os descontrutores do capitalismo nunca chegaram: como modificar as regras da obtenção de riqueza e ainda sim obter riqueza? como diminuir o aleijamento dos recursos sem adotar uma postura de inanição? como deixar a usura pra trás e investir pesado em novas formas de organização econômica? As únicas vezes que ouvi tantas vezes a expressão quebra de paradigma foi estudando revoluções. Ainda que não se toque em marxismo e afins, a proposta é revolucionária: Modificar a ótica e a estrutura da produção. Ainda que exista aqui um aparato capitalista que não vai simplesmente parar, mas que terá de ser forçado a se modificar, as soluções são economicamente viáveis, prevêem em alguns casos mesmo a redução no ritmo da produção, porque mantê-la é insustentável.

Não me recordo de qual, nem consigo encontrar alguma fonte que diga, mas um dos empresários disse: Só é sustentável o que se pode fazer o resto da eternidade. Ou seja: o predatismo desenfreado, o “se não for eu será outro” está com os dias contados se essa ótica conseguir o que mais quer: Virar mainstream. É um discurso mais complexo, sem tantos pretos e brancos, e que vai passar por cima dos cabeças de bagre que só sabem fazer as coisas de uma jeito porque as coisas são assim, porque é padrão. Mas como já deixei claro eu tô pouco me importando.

Não sacaram? Eram empresários admitindo a escrotice do passado e tentando modificar as coisas a partir de dentro. É claro que esse movimento sofrerá refluxos, como já sofreu, mas se em meio ao pânico da “crise” ainda se faz mais de um congresso sobre o assunto no espaço de um mês, quer dizer que esse pensamento está beeeeeeeem fortalecido.

Os diálogos

Aqui eram abertos maiores espaços para conversas, mas ainda sim não eram debates, portanto as bullshits passaram incólumes, sem maiores críticas ou ressalvas. No entanto esse foi o espaço em que coisas interessantes poderiam ocorrer se a situação se esquentasse e se partisse para o confronto de idéias real. Os tapinhas nas costas e aplausos eram imensos e irrestritos, as vezes me pareceu conjuntos de pastores pregando e não pensadores conversando. Talvez os meus pensadores sejam muito brigões,talvez seja eu. Mas ainda acho que esse era O espaço pra conversas mais produtivas e mais elucidantes. Foi interessante, admito, mas para não iniciados parecia um assunto pouco explorado e para os iniciados ficou no mais do mesmo.
Claro que a organização tem bem pouco a ver com isso, imagino que deve ter orientado para evitar conflitos e tal, mas daí a todo mundo achar lindo o que o outro fala, mesmo que seja um discurso claramente propagandista e vazio já começa a ficar demais pro meu estômago, sinto muito.

Ali rolou, no entanto, uma conversa que adorei (de verdade) pelo seu conteúdo: ao se falar em Educação o consenso foi que o sistema de educação atual está tão falido que não se sabe nem por onde remediar. Sim, achei lindo. Conto nos dedos professores decentes na minha vida. Em uma só mão, e me sobram dedos. Se falou muito educação informal, em modificar o formato, em modificar ou incluir isso ou aquilo. Só uma certeza se avolumou na minha mente: O bagulho tá tão ruim que nem o discurso bunitinho da sustentabilidade cabe dentro da escola, nem um conteúdo que seria absolutamente fácil de conceituar consegue penetrar na miopia do sistema educaional atual. É triste pela educação, mas pelo menos talvez esses dados façam algo mudar em nossos professores que querem dar aulas nos anos 1800 pra alunos dos anos 2000.

Finalizando curto e grosso

Mas, ao menos para mim, entre mortos e feridos salvaram-se todos, e não houve plenária evento ou coffee break que não me acrescentasse algo. Sério. O congresso em nada deixou a desejar, na minha opinião, no sentido da organização do evento de disponibilidade e abrangência. Taslvez um pouco mais de posicionamento entre si, autocrítica (ahhh… o partidão) do movimento e só.

Ficamos por aqui com o Sustentável 2009. Espero ter ajudado um pouco as suas mentes inquietas

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Comendo no sustentável 2009

Agosto 14, 2009

Continuando a série sobre o Sustentável 2009.

É um assunto menor? Com certeza, evidente que sim, mas cabe aqui algumas linhas: a comida que rolou nesse congresso.

Funfava assim o lance: depois de cada plenária rolava um lanchinho na sala de entrada (ou um coffee break). Duas horas de palestra, hora de esticar as pernas, trocar uma idéia com a galera ali fora, olhar crachás e tentar descobrir alguém que você sempre quis conversar mas nunca teve a oportunidade, etc etc etc.

Até aqui tudo bem, tudo tranqüilo. Vamos então ao coffee break per se, ok?

Saindo do teatro, tinham duas mesas enormes de cada lado e mais duas a frente. Comidas e bebidas, certo? Exatamente.

Nos aproximemos então da mesa dos sólidos (Melhor chamar assim) o que encontramos? Um lanchinho do tamanho de uma Carolina (o doce). com coisas muito suspeitas dentro: sempre um queijo com gosto esquisito, sempre algum outro recheio não identificável. Claro que eu não esperava uma feijoada, num um strogonofe, nada disso. Aliás, esperava algo até pior, mas a comida era bem tragável com exceção das moedas de bolo. Sim sim, alguém teve a elegante idéia de cortar os bolos em círculos pequenos, a largura de uma maçaneta (redonda, óbvio) e a expessura de um pouco mais que um dedo magrelo. Terrível idéia. E nem sei dizer se era porque o bolo não era gostoso em si, ou porque o tamanho tão diminuto não deixava saber.

Passemos aos líquidos, ok? Os sólidos se repetiram assim durante todos os dias. Bem, aqui eles acertaram bem: Sempre tinha duas jarras de suco e uma de água. Os sucos sempre de fruta mesmo, nada de Tang – que não é sustentável – e sempre muito gostosos. A água não era gostosa, nem ruim, era água (incolor, insípida e inodora, lembram?), o que também não deixa de ser um ponto positivo.
Por último tinha o cafézinho. Esse foi o meu maior temor: O café é sempre uma merda. Errei, graças a Deus eu errei! O café era gostoso e reposto em velocidade espantosa!

Nada contra comidas diferentes, na verdade tentava pegar todos os que tivessem (um a um, com calma né?) mas podia ser em porções maiores e quentes.

Nem entrarei nos quitutes do coquetel do fim do congresso, esses não valiam MESMO a pena. Só era legal pq deu tempo de conversar com calma com a galera e conhecer algumas pessoas sem a pressa de ir para o próximo evento.

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4.1 – O acesso ao código fonte 2 (ou Ficando no rebanho)

Agosto 11, 2009

As vezes me impressiono com certas coisas. O pensamento condicionado é uma delas.

Explico.

Dois anos atrás comecei uma discução sobre o velho assunto do sotaque dos paulistanos. O ponto acabou girando de que ele era o melhor, o perfeito para apresentações artísticas, e o meu ponto era: isso empobrece a obra. Diferentes sotaques trazem diferentes sabores. Fomos avançando na discussão e o meu interlocutor acabou tendo que apelar pra três argumentos: (1)Outras regiões não entendem outros sotaques a não ser o paulistano, (2) Isso é padrão, (3) eu tenho 40 anos, você tem vinte.

Vamos desmontá-lo para que possamos entender o ponto aqui, ok?

1 – Outras regiões não entendem outros sotaques a não ser o paulistano. Verdade? Não. conheci baianos, pernambucanos, gaúchos, cariocas, mineiros e amazonenses. Nenhum deles deixou de me entender. Os erres caipiras são mais difíceis de entender, são pra dentro, mas isso ocorre com agente também, muitos caipiras se perdem nos erres uns dos outros. Ahhh também conheci um CABOVERDENSE que falou que nunca teve nenhuma dificuldade com sotaques. O que acontece na realidade é que o sotaque paulistano está no JN, e isso faz com que seja extremamente conhecido em todo o Brasil.

2 – Isso é padrão. O ponto aqui era me desestimular pra fora da discussão e falar pra eu calar a boca. “O padrão estava aqui antes de você nascer” a esse eu respondi: E nós moramos em cavernas. Não tomamos banho. Colocamos cintos de castidade em nossas mulheres. Não usamos eletricidade. TUDO isso foi padrão um dia, e mudou. O papo de ser padrão quer dizer: Seja ovelha, não OUSE usar seu pensamento sozinho. Questionar pra que? Essas ovelhas. Nem começarei a falar que padrão é algo construído e destruído socialmente, que isso são conceitos sociais e não naturais. E blá blá blá.

3 – Eu tenho 40 anos, você tem 20. A esse eu respondi: AGORA acabou a discussão né? Você tem 40 anos. O que mais se pode discutir? Me curvo a sua sabedoria. Esse argumento é a saída dos covardes, a saída da OTORIDADE, a saída escrota de todo mundo que NÃO pensou/ sabe/ entendeu o ponto da discussão. Esse argumento de tão escroto deveria dar cadeia. O meu ponto é: Se você tem o dobro da minha idade você deveria conseguir ter mais argumentos, um raciocínio mais apurado, uma retórica mais aprumada a tal ponto que recorrer a esse argumento seria seu ULTIMO recurso. Quando vocês está encurralado na parede e um moleque imberbe está segurando a sua dignidade nas mãos. Aí a OTORIDADE surge, e tenta amedontrar. Sempre que se precisa usar o medo, quer dizer que a razão se perdeu. E faz tempo.

O ponto todo do exemplo é que o cara enxergava o layout: O sotaque é o mais copiado, o mais usado, e ele estudante de teatro de cursinho, fora treinado a ver desse jeito: Padrão, assim que se faz! Nunca questionou o porque se faz assim, desde quando se faz assim, e a que interesses se atende quando se faz assim. Isso era impensável, afinal, sendo paulistano isso lhe caía como uma luva. Era só enunciar as palavras como sempre enunciou. Era só se manter como ovelha: Faça como lhe foi dito e apenas isso.

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4 – O acesso ao código fonte (Let me see the Matrix)

Agosto 11, 2009

Devo fazer uma pausa no Sustenável 2009 para continuar com as Teses da rua Augusta!

O lance meus queridos é que a vida não é software livre: Você não tem acesso ao código fonte e não tem reprogramar as coisas. Infelizmente.

Mais de uma vez na vida a gente senta no nosso canto e pensa: Será que isso é verdade? Quantas histórias absolutamente contraditórias a gente não conhece? E é absolutamente impossível de se chegar e afirmar com 100% de certeza: Essa aqui é a verdadeira, a outra é uma layout enganador. Um exemplo?

Michael Jakson…. Pois, é.

Todas as “verdades” são assim: Nem tão verdadeiras assim. A gente só tem acesso ao layout, as ferramentas, não tem um botão do lado esquerdo da mente, que a gente clica e escolhe “Exibir código fonte” – Isso não rola.

E agora bigode? Não temos acesso ao código fonte, o que fazer? O melhor navegador de realidade tá dentro da sua cabeça, prego. Use todas as ferramentas que puder. Parece simples mas não é. As pessoas, em sua maioria, tem preguiça de pensar. É mais fácil ser ovelha. Sempre foi e sempre será.

O pensamento próprio é muito mais difícil de manter, de sustentar, de criar que o pensamento de rebanho: Porque discordar? Porque questionar? Porque tentar? Por apenas não apenas seguir? Por que não ovelhas? Por que não: “faça como lhe foi dito” e apenas isso? Por que não. Precisa mesmo explicar?

Não temos acesso ao código fonte…
Infelizmente.
Mas ainda não somos ovelhas.

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Literatura Sustentavel (Ou fazendo a festa na banquinha)

Agosto 10, 2009

Continuamos no Sustentável 2009, despregando um pouco mais!

Primeiras plenárias acabaram, hora do almoço, certo?Almoçamos e nos preparamos para o diálogo sobre educação no TUCArena!

Desci pro andar de baixo, uma espécie de porão bem grande e arejado e com saída para uma rua lateral, nada Praça Roosevelt! O que me deparo chegando lá? Uma banquinha!

Não a da Souza Cruz, mas de publicações sustentáveis! Interessante não? O que estaria contido ali? Aquela gente discutia o futuro da humanidade, falavam em subversão e quebras de paradigma (Ah os congressos do partidão, as palavras de ordem!)…. O que leriam?

Me lancei ávido ao pote e passei os olhos por várias revistas, CDs, dvds, libretos, apostilas e revistas. Reuni os que achei mais interessantes. Segue uma listinha :) (E amanhã os links de tudo o que der pra baixar!)

1 – Biofuels and Climate Change – Interfaces e potentialies: Um libretinho acompanhado de CD-rom, quase um flyer.

Bem bonitinho, é só clicar que você vai ver! Dentro desse cd o que só pode ser considerado um institucional dos organizadores do congresso: Seria óbvio que eles teriam de convencer porque eles podiam patrocinar um evento desses, com que moral! Mas é bacana, exige paciência mas é bem informativo (vale a pena repassar os dados depois).

2 – Sustentável 2008 – Publicação final: Uma revista e um CD com dados do Sustentável 2008: Os encontros, os temas dos encontros, todo tipo de coisa que te coloca em 2009, compassado com o que já foi falado, com o que já foi pensado pra tentar pensar 2009 agora, talvez 2010, e o ideal mesmo é passar 2020! PPT e PDF, não esperem tratados, mas vale a pena conferir.

3 – Brasil sustentável Uma revista da CEBDS também, essa falando sobre o Sujstentável 2009: Traz entrevistas, matérias, insights, fotos, dados… Te colocava no colo os dados pra sacar as conversas, plenárias e etc. Pra ler rapidinho no almoço. Ora dar um gostinho do que virá.

4 – Manual de Gestão Urbana – FeComerico É como um manual de instruções, se liga no tamanho dele e na largura! Bem bacana, aplicados diretamente, conteúdo ainda seno digerido e entendido, postarei mais pós leitura e fichamento completo. Mas foi o que eu fui primeiro: Papel reciclado, arte bonita, lógico que bdebigode estacionou nele de cara e logo pus na minha sacola de leituras pós congresso (tava ali no meio e num ia dar tempo, mas eu me reservo o tempo de leitura! Vale a pena pra caramba, se conseguir transformo em PDF e posto.

5 – Manual de resposabilidade ecológica – FeComercio: A FeComercio mandou bem, as melhores leituras eram dela, com certeza vai me fazer ler de novo se cair algo em mãos. Esse é quase infantil, não sei ao certo porque, mas também tem conteúdo e a diagramação é digna de Exupéry. Meio raso demais, mas ambém não compromete, tem no máximo 50 paginas que são A4 dobradas! outra leitura de almoço, ou de van, ou de metrô.

E por último mas não menos importante: O folheto de sustentabilidade da Souza Cruz!
O segredo seria revelado, e eu queria muito saber! (Não pude deixar de notar que fui o único a querer saber, aparentemente!)
Resultando em descobrir que a souza cruz tem um instituto cujo objetivo é minimizar o impacto da empresa, e contribui com atitudes socialmente responsáveis. Possuem o Programa Empreendedorismo do Jovem Rural (Tucanaram o caipira!) em toda a região sul do país (a grande produtora de tabaco aqui)! Era um institucional tentando falar que eles não vendem só câncer: Contradizendo o MJ: Eles se importam conosco! Pontos pra Souza Cruz

Clique para ver as capas e espere pela disponibilização de downloads, se vc tá afim de baixar algo clica aqui e vai baixando as apresentações das plenárias.

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Sustentavel 2009 (ou Aqui, ali, em todo lugar)

Agosto 8, 2009

Como já falei no último post, fui cobrir o sustentável 2009. Mas o que diabos é isso, não? O que é “sustentável?” pra que e como se organizou um congresso desses?

A idéia é bem simples: Algo que você não possa fazer para sempre não é sustentável! (Preciso inserir a citação do cara que falou isso no congresso, mas não acho nas anotações).

E o congresso? Qual é a dele? O congresso serve para trocar idéias, para trocar experiências, para descobrir novos fatos e atores que estão rolando no mundo! Bacana não?

Pois é. Também achei. No último post falei como cheguei no congresso, agora contarei um pouco mais.

O lance funcionava assim: Tudo rolava no TUCA. Pra quem não sabe (como eu não sabia) ali há 4 espaços: A sala principal, no térreo, duas salas menores no primeiro andar e mais o TUCArena, no subsolo. Foram nesses espaços que aconteceu todo o congresso. Vamos por partes:

Na sala principal rolavam as plenárias: Basicamente palestras dos mais diferentes atores dessa nova ação que é a sustentabilidade. E dos mais diversos, de CEO’s de mega corporações como a BASF (que não faz mais k7 desde 98, ele nos informou) até um representante dos Dabawlas (entregadores de marmita da Índia, quase todos analfabetos), passando por holandeses, espanhóis, brasileiros falando inglês terrivelmente… Enfim toda sorte de pessoas contando experiências das mais ecléticas e interessantes ao redor do globo. Conclusão: Muita genta boa falando muita coisa interssante. Gostou? Se informe mais aqui com os posts da Thanuci, aqui e aqui com a Leka e assim que eu conseguir todos os outros links do resto do Sustenta8 eu posto aqui um por um, ok?

Nas duas salas de cima rolavam os workshops, o seja: Aulas, dicas e uma galera cabulosamente interessante. Down side: 200 conto, ou algo assim, CADA workshop. O pensamento é barbudo, mas o bolso é duro: Esses eu não sei o que rolou! INEFLIZMENTE

E lá embaixo, no TUCArena rola tipo um roda viva: juntava-se uma galera que tinha trabalhado em alguma coisa parecida, e eles trocavam idéias entre eles e com o público. Era bem bacana, apesar de ser bem mais lerdos que as plenárias e mais cansativa! Mas lá rolou o lance mais massa do congresso todo, na opinião desse bigodudo que vos fala: Marina Silva bringing down the House! (são dois links, um pra wiki e outra pra um movimento chamado Marina Silva presidente!). Ela foi absolutamente sublime, forte e contundente. Absolutamente.

E esse que vos fala ganho também abraços, conversou 10 minutinhos com ela e espera receber um email em poucos dias, para manter a comunicação. Morram de inveja!

Abraços, amahã eu volto contando um poco mais e com bem mais links. Agora vou deitar que to mau bagaraio!

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Sustentável 2009 (Ou como acabei fazendo streaming, cobertura, micrblogagem e mais um monte de bobagens)

Agosto 6, 2009

Oi pregos! Tudo bem aí nessa terra?

Bem, preciso fazer algum sentido né?

Pois vamos lá: Nesse instante estou na palestra mais chata da minha vida. Sério, e isso não é pouco. Assisti cada coisa nessa vida já. Mas vamos lá.

Fui convidado (por motivos os quais nunca questionarei, as vezes ignorância é felicidade) a cobrir um congresso sobre desenvolvimento sustentável. Faria streaming das palestras e deveria fazer alguma forma de cobertura. Qualquer uma, desde que fosse interessante e agil, afinal seriam três palestras por dia, mais diálogos, mais um monte de coisinhas.

Ok, me muni de dois laptops emprestados (tenho desktop, sorry) e fui ao congresso. Mas antes cabem voltar e contar o caminho até começar a cobertura.

Acordei atrasado. Não é nenhuma novidade, mas dá trabalho, sempre. Um banho, e saí correndo. Literalmente correndo. Cinco quadras ladeira acima (tente subir do anhangabaíu para a Av Paulista correndo 5 quadras e depois conversaremos) eu tava tão acabado que decidi que se queria chegar vivo e minimamente cheirando a banho teria de apelar para um táxi. Isso foi rápido e me deixou num metrô.

Desci da estação e o cretino do guardinha me manda para o lado errado, e eu começo a segunda grande caminhada do dia. Andei pinheiros, perdizes, até achar a rua que eu queria, mas queria chegar em torno do número mil, achara o numero dois mil. Mais um quilômetro de caminhadada certo? Certo, agora vc já subiu e desceu ladeira? Bem, eu já, e muito rápido. Tava atrasado para o primeiro dia de congresso.

MAAAAAAAAAAS cheguei, cansado, acabado, mas cheguei. Aí toca andar pra lá e pra cá procurando a sala certa, as pessoas que eu tinha que encontrar, pegar as coisas que eu precisava pegar. É um congresso, certo? envolve gringos, grandes empresários, alguns doutores (No duro! Conheci uma Doutoranda que tava apenas “matando tempo” antes de defender a sua tese – Matando tempo num congresso!) e etc, certo? Pressupõe-se um grande esquema de segurança certo? ERRADO. Transitei pra lá e pra cá e ninguém me perguntou nada. Eu entrei em todas as salas, todos os andares, e nada me foi perguntado. E eu nem tinha pego a minha credencial ainda. OU SEJA: Era um completo desconhecido zanzando por ali e ninguém se importou. No fim acho que acaba sendo melhor do que a paranóia.

Nessas minhas andanças cabe dizer que trombei um quiosque da Souza Cruz. Ok, é um evento, tem muita coisa estranha, mas é de sustentabilidade, uma coisa meio hippie e bacana assim. Acho que só eu fiquei com a impressão de que distribuiriam Free’s, uma questão de bom senso.

Quanto as plenárias, diálogos, todas as 2000 páginas que eu surrupiei para poder fazer a cobertura, bem como links, úteis e inúteis encontrados ali, começo no próximo post, já é sabido que adoro fazer preâmbulos.

Obrigado, até mais a noite!

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A párabola do prego 2

Agosto 3, 2009

Tu é um prego, eu já disse aqui, ok?

E agora a gente vira e se pergunta: Despregar como? Um prego não tem braços, certo?

Certo, mas para despregar você vai como um prego: leva a cabeça aonde o corpo não está! E sai do lugar.

Nós, pregos espertos que somos (falei que tu era um prego, nunca que não tinhas cabeça!) inventamos as antenas: figurativas, analógicas, digitais ou fiolósicas! Antenas que nos conectam com o mundo, antenas que nos fazem estar em lugares que nem sempre nossos corpos de pregos, pregados, não podem ir!

Tu é um prego amigo, não é desculpa pra ficar parado.

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3 – A parábola do prego (ou fixando e firmar-se nem sempre é bom)

Julho 15, 2009

Tu é um prego. É triste, mas é verdade: Tu é um prego. Se ajuda saber, eu também sou, todo mundo é. Hm… realmente não ajuda em nada.

Todos somos pregos, mas não aquele que seu tio fala, quando fala que tu não manja nada de porra nenhuma. Nem nada assim.

Somos pregos, todos nós. OK? Isso é uma parábola, porra então nela somos todos pregos.

Ok, concordamos nessa parte então podemos seguir em frente.

Nós somos pregos no sentido da percepção das coisas, que fica na ponta e não na cabeça desse prego. Quando chegamos, vemos apenas a superfície das coisas, apesar de nessa época sermos capazes de transitar livremente nessa superfície. Somos pregos que ainda tem a possibilidade de esburacar qualquer lugar, estamos apenas colocados em um ponto.

Obviamente, somos superficias e volúveis nessa época, o que torna a coisa toda bem simples e incompreensível aos nossos olhos. Não temos ferramentas para compreender as coisas.

Ferramentas? Todo prego tem seu martelo, e o nosso é a cultura, o olhar, a ideologia de nossa época e espaço. Simples não? Sim, conforme vamos ganhando cultura, racionalidade, adquirindo um olhar sobre as coisas, podendo entendê-las melhor, somos pressionadas para dentro: Martelados. Nossa compreensão se aprofunda, mas nossa mobilidade acaba.

Quanto mais somos empurrados para dentro, mais e mais profundamente somos capazes de entender o ponto em que estamos, e mais e mais se torna dificil a compreensão de outros pontos, dos outros pregos. Quando fomos pregados até o fim, quando nos enterram a dentro da superfície, se torna impossível mudar de lugar. Ou quase isso.

Felizmente isso é figurativo, não somos pregos: Não precisamos necessariamente ser passivos a essas marteladas, podemos reagir, podemos escolher não sermos enterrados, podemos escolher ser enterrados e desenterrados e reenterrados em outros pontos, diversas vezes.

Somos e seremos sempre móveis, mesmo que as vezes, e eu entendo bem que isso acontece, as vezes não pareça ser mais possível se desenterrar.