A urgência do neologismo (ou a preguiça de usar um dicionário)

Nem sempre se tem pronta, assim feito fast food, a palavra que precisa para expressar o que se quer.

As vezes ela não existe, então inventamos uma. As vezes apenas não a conhecemos, então inventamos uma.

Ou gambiarramos. Sim sim, eu gambiarro e você também. Ou nunca usou uma palavra que dava na trave e arrematou um “não é bem isso, é quase isso? É algo assim… É mais ou menos isso aí” ? Não? Duvido.

Urubuservando a situação só se pode concluir que não, não há outra escapatória – Há de se inventar as próprias palavras para expressar as próprias idéias! Só não se pode exagerar, ou não expressarás nada. Ou melhor: Expressarás apenas para ti. Para falar com os outros, consulta-se um dicionário aqui e ali.

Sim sim, atribuir novos significados é do cacete, uma porrada de neologismo é bom para luxar na prosa, mas festar demais com discurso pode torná-lo, como se diz… Foda pra sacar. Suave?

As vezes os conceitos que a gente tá tentando passar já ta lá registrado no dicionário, tem lá uma manira conhecida pra falar aquele lance que tá na sua cachola – Mas a única maneira correta de se dizer uma coisa é dizê-la do seu jeito, é dizer pessoalizadamente.

É, uhum, é dialético: O pessoal e o geral, a sua língua e a língua da galera.

Elas nunca serão a mesma. Quer dizer: elas podem até ser, mas aí você se torna um papagaio, que só repete as palavras. Espero sinceramente que fale algo, ao menos um pouco, errado.

Mas falar tudo errado simplesmente vai fazer com que não seja entendido, simplesmente fará com que o que fala não faça sentido. Tatu não voa, e falar que tatu voa não vai fazer ele levantar vôo, não é por aí meu caro. As palavras são capazes de modificar idéias ao serem trocadas, são capazes de mudar o pensamento que resulta na ação que muda o mundo. Mas uma palavra não faz o everest se mecher, não faz os céus caírem, o que faz isso são as ações que vêem dessas palavras, e para podermos gerar o que queremos precisamos ser entendidos.

É claro que para expressar novas idéias, novos conceitos, novos pensamentos as vezes precisamos tirar da cartola alguma expressão que nunca ouvimos, mesmo que ela exista em algum tempo ou lugar longíncuos, esquecido da memória consciente, as vezes resgatamos palavras, as vezes apenas nos lembramos sem perceber delas, mas sempre, sempre precisaremos continuar construindo nossa melhor forma de expressar idéias: a nossa língua.

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A questão do reboot (ou onde fica o botão de reset?)

A gente pega o bonde andando e não tem como sentar no colo do motorista, nem na janela, e nem perguntar o rumo para o cobrador! As estações, as paradas, quantos pontos faltam até chegar no final… Esquece, senta aí e aproveita o passeio o melhor de quer, e nem sempre dá para aproveitar muito.

Por quê? Porque ninguém sabe exatamente aonde os trilhos levam, se é que tem mesmo um trilho e não estamos descarrilhando ladeira abaixo e torcendo para tudo dar certo no fim (Aliás, torcer para tudo dar certo no fim a gente sempre torce, até por quê o contrário é bem ruim.)

Você chegou e as coisas já tinham acontecido, é bem simples: Temos pelo menos alguns milhares de anos de história, algumas centenas de construções e destruições para se chegar na cultura atual, e a não ser que você seja amiga dessa velhinha ali do lado, você não participou de uma boa parte dessa história!

Chiyono Hasegawa, a japonesinha mais velha do mundo

As coisas tão aí, enfiadas na sua cara, e enquanto você está olhando para fora do bonde tentando  entender onde estamos e sacar mais ou menos como chegamos aqui, ele acelera e faz uma curva! E tudo o que você sabia foi por água abaixo assim, num piscar de olhos! No fundo você sabe que essa não foi nem a primeira nem a última vez que ele fará isso, então olha para frente e deixa a paisagem que passou passar.

É filhão: Você comprou uma passagem só de ida e nem sabe pra onde está indo!

O que acontece quando dá erro em qualquer máquina? Nós desligamos, checamos as partes e, depois de tudo arrumado,  ligamos novamente, certo? A não ser que estejamos falando de computadores e a falha seja no windows, aí só desligamos, rezamos e ligamos de novo, apenas com a esperança de que o erro passe.

Só que o tempo não tem botão de reset, não tem como rebootar a história, mesmo que algumas pessoas queiram! Tem que ser ao mesmo tempo em que trabalhamos para tentar sanar os defeitos, e aí dois problemas se misturam: O segredo do universo e a prestação que vai vencer!

Você já quis apagar algo também

Todo mundo já tentou se desligar esperando que quando reiniciasse o problema tivesse passado: Ou afogar as mágoas num copo (ou copos, ou mesmo garrafas) não é exatamente isso? Desligar a mente torcendo que para quando ela religar tudo esteja resolvido? Sabemos que não funciona, por mais que seja tentadora a idéia, por mais que a gente gostaria que funcionasse, simplesmente não rola! A sua conta bancária só tende a diminuir a cada porre (Tende porque sempre se tem amigos pra fazer uma preza), o seu amor não te perdoa porque você aparece com bafo de pinga pedindo desculpas (muitas vezes isso só piora as coisas).

Não temos como dar reboot em nós ou nos sistema operacional do mundo, e se existe essa possibilidade ainda não sabemos como! E mesmo se um dia soubermos, vale a pena?

Seria bom esquecer aquele fora, aquela demissão, aquela morte de um querido, o genocídio de milhões, a fome de outros milhõs. Mas qual seria o preço? 

Quase todo professor de história repete como num mantra que é preciso se estudar o passado para se entender o presente e se pensar num futuro sem os mesmo erros? Rebootar não nos jogaria num círculo vicioso? Ou mesmo, por ser tão fácil apagar as coisas e reiniciá-las não entraríamos numa banalização da merda? E mesmo que seja possível rebootar a vida, não seria possível rebootar a morte, então alguns erros, por mais que tentemos, seriam eternos – E não seria ainda pior? Abandonar erros no passado e pagar por ele sem nem saber o porquê se é castigado? 

Talvez até tenha um botão de reset escondido em algum lugar, mas vale mesmo a pena procurar por ele? Não é melhor simplesmente tentar sacar a paisagem e dar uns conselhos para o motorista do bonde de todos nós?

As nove teses da Rua Augusta

Sempre há um ponto fundador em qualquer ponto de vista, certo? Sempre há os pressupostos sobre os quais a gente trabalha, aqueles pensamentos que demonstram da onde vem o nosso ponto de vista, qual a lógica que a gente aplica para tentar entender as coisas ao nosso redor.

Pensamento Barbudo, longe de ser um blog misógino/ machista é na verdade um blog sobre algumas reflexões livres sobre alguns fatos da realidade ao meu redor. Tento (re)criar conceitos para explicar o que vejo, a qualquer momento reformulando-os ou os abandonando conforme é necessário. Mais importante do que fazer a realidade se adequar aos meus pensamentos é tentar fazer com que os pensamentos se tornem tão abrangentes quanto possível, que eles ao menos tentem alcançar novos níveis.

Brincando com isso cheguei (em conjunto com um grande amigo meu que talvez um dia colabore aqui comigo) a algumas teses que longe de tentar explicar tudo, mostra alguns pressupostos que a gente trabalha. Ao menos mostra o bom humor que a gente trabalha sempre, porque nem tudo pode (ou deve) ser levado muito a sério.

E a partir disso criamos as Nove teses da Rua Augusta.

A questão do reboot (ou Aonde fica o botão de reset?)

A urgência do neologismo (ou a preguiça de usar um dicionário)

A parábola do prego (ou fixando e firmar-se nem sempre é bom)

O acesso ao código fonte (Let me see the Matrix)

JCVD como confirmação da teoria do nada (ou Como que pode ser tão chato)

Realidade: Verdade ou ficção? (ou A dança do patinho)

Musica para mim é terapia: Entendendo o Nirvana como uma saída

A filosofia pós moderna de Sly (ou Como eu chorei assistindo Rambo)

As luzes de tungstênio (ou libertação andarilha)

Nova Cronologia (ou recomeçando o que nunca acabou)

No inicio comecei a contar algumas histórias, publicar algumas teses, mas por diversos motivos essas teses e textos pararam de ser publicados por um tempo, cancelei os títulos, por assim dizer.

Depois de um tempo voltei a escrever, mas agora os títulos eram diferentes, eram outra terra se formando. Aí depois veio mais uma, e outra, e mais outra e no fim estava tão confuso quanto a que linha seguir que me perdi.

Então agora eu estou separando todas as linhas (e sem soco na realidade ;)), cada terra cuidará de um aspecto, cada uma contará uma linha de história.

Aqui, no Pensamento Barbudo seguirei publicando crônicas, algumas teses e algumas histórias. Aqui tudo é ficcional, ao mesmo tempo em que não é. Esse blog é sobre refletir sobre a realidade, não apenas tentar tolamente reproduzí-la em linhas tortas.

O Homem Sardinha vai ficar com o aspecto portfólio, diarinho sobre a criação de artes e Hq’s, algo para documentar uma jornada em esboços, bicos de pena, roteiros, argumentos e releases de outras obras.

O Boteco Nerd vai contar com a parte mais jornalística da coisa toda, ali estarão dicas de porções, PF’s, releases de livros, shows e etc. Ali vão estar as informações mais perto da realidade e mais “úteis” dessa micro blogosfera.

Espero contar com alguns de vocês nessa jornada. Espero encontrar mais alguns durante ela também. E obrigado aquela que está aqui e estará comigo no final dessa caminhada também.