A questão do reboot (ou onde fica o botão de reset?)

A gente pega o bonde andando e não tem como sentar no colo do motorista, nem na janela, e nem perguntar o rumo para o cobrador! As estações, as paradas, quantos pontos faltam até chegar no final… Esquece, senta aí e aproveita o passeio o melhor de quer, e nem sempre dá para aproveitar muito.

Por quê? Porque ninguém sabe exatamente aonde os trilhos levam, se é que tem mesmo um trilho e não estamos descarrilhando ladeira abaixo e torcendo para tudo dar certo no fim (Aliás, torcer para tudo dar certo no fim a gente sempre torce, até por quê o contrário é bem ruim.)

Você chegou e as coisas já tinham acontecido, é bem simples: Temos pelo menos alguns milhares de anos de história, algumas centenas de construções e destruições para se chegar na cultura atual, e a não ser que você seja amiga dessa velhinha ali do lado, você não participou de uma boa parte dessa história!

Chiyono Hasegawa, a japonesinha mais velha do mundo

As coisas tão aí, enfiadas na sua cara, e enquanto você está olhando para fora do bonde tentando  entender onde estamos e sacar mais ou menos como chegamos aqui, ele acelera e faz uma curva! E tudo o que você sabia foi por água abaixo assim, num piscar de olhos! No fundo você sabe que essa não foi nem a primeira nem a última vez que ele fará isso, então olha para frente e deixa a paisagem que passou passar.

É filhão: Você comprou uma passagem só de ida e nem sabe pra onde está indo!

O que acontece quando dá erro em qualquer máquina? Nós desligamos, checamos as partes e, depois de tudo arrumado,  ligamos novamente, certo? A não ser que estejamos falando de computadores e a falha seja no windows, aí só desligamos, rezamos e ligamos de novo, apenas com a esperança de que o erro passe.

Só que o tempo não tem botão de reset, não tem como rebootar a história, mesmo que algumas pessoas queiram! Tem que ser ao mesmo tempo em que trabalhamos para tentar sanar os defeitos, e aí dois problemas se misturam: O segredo do universo e a prestação que vai vencer!

Você já quis apagar algo também

Todo mundo já tentou se desligar esperando que quando reiniciasse o problema tivesse passado: Ou afogar as mágoas num copo (ou copos, ou mesmo garrafas) não é exatamente isso? Desligar a mente torcendo que para quando ela religar tudo esteja resolvido? Sabemos que não funciona, por mais que seja tentadora a idéia, por mais que a gente gostaria que funcionasse, simplesmente não rola! A sua conta bancária só tende a diminuir a cada porre (Tende porque sempre se tem amigos pra fazer uma preza), o seu amor não te perdoa porque você aparece com bafo de pinga pedindo desculpas (muitas vezes isso só piora as coisas).

Não temos como dar reboot em nós ou nos sistema operacional do mundo, e se existe essa possibilidade ainda não sabemos como! E mesmo se um dia soubermos, vale a pena?

Seria bom esquecer aquele fora, aquela demissão, aquela morte de um querido, o genocídio de milhões, a fome de outros milhõs. Mas qual seria o preço? 

Quase todo professor de história repete como num mantra que é preciso se estudar o passado para se entender o presente e se pensar num futuro sem os mesmo erros? Rebootar não nos jogaria num círculo vicioso? Ou mesmo, por ser tão fácil apagar as coisas e reiniciá-las não entraríamos numa banalização da merda? E mesmo que seja possível rebootar a vida, não seria possível rebootar a morte, então alguns erros, por mais que tentemos, seriam eternos – E não seria ainda pior? Abandonar erros no passado e pagar por ele sem nem saber o porquê se é castigado? 

Talvez até tenha um botão de reset escondido em algum lugar, mas vale mesmo a pena procurar por ele? Não é melhor simplesmente tentar sacar a paisagem e dar uns conselhos para o motorista do bonde de todos nós?

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