Verdade ou ficção? (ou A dança do patinho)

Eu não roubo no troco, não corto fila, tento ser educado com todos, tento sempre fazer o que acredito ser o certo. Mesmo que tudo em volto buzine e berre e grite na direção oposta.

Não faço o que faço por um imperativo categórico, por medo de uma punição metafísica ou esperando uma recompensa do universo por essas coisas, eu simplesmente faço o que eu acredito ser a melhor coisa a ser feita, independente de fatores externos.

Acredito na democracia, na igualdade, na bondade, na possibilidade de melhoria, na liberdade de todos, na inevitabilidade da mudança, na necessidade de lutar por tudo isso também. Nem sempre é fácil, nem sempre isso é reconfortante também. Nenhuma dessas convicções advém de uma fé cega e infantil em uma mão invisível que controla tudo quando se quer, mas no estudo, na reflexão, no empirismo e, inevitavelmente, em uma certa ingenuidade em crer, necessária para não me tornar absolutamente cínico.

Apresento-lhes a Cultura

Tudo isso monta as lentes com que eu olho o mundo. é inevitável colocar tudo isso na balança a cada notícia, a cada escolha que sou confrontado. Isso serve para todos nós, não há quem não possua nenhuma convicção, seja ela qual for, seja ela razoável ou não, alguma convicção há e todos nos baseamos nelas para guiar a nossa vida, para podermos lidar com a realidade de alguma forma.

Mas essas lentes, montadas ao longo dos anos sobre nossos olhos, elas realçam, filtram ou distorcem a realidade? O quanto não deixamos de ver, de ouvir, de sentir e entender porque nossas lentes não nos deixam ver algo como ele realmente é? A lentes nos possibilitam entender o mundo, sem toda essa bagagem somos como crianças recém nascidas, incapazes de entender o mundo, ainda que, talvez, muito mais capazes de enxergá-lo.

Trocaria algumas palavras, talvez algumas posições hoje não façam mais sentido, mas o grande Bernardo, um dos maiores cronistas urbanos do nosso tempo, conseguiu resumir tudo isso aqui:

A questão é que temos uma escolha muito simples em nossas vidas: acreditar que o que é fácil é bom, o que é conveniente é o certo e o cômodo é o honroso. Ou realmente levar a sério as nossas convicções, e arcar com as consequências delas, sejam boas ou más, físicas ou metafísicas.

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