As luzes de tungstênio (ou libertação andarilha)

Para quem já voltou a pé da balada, para quem já foi a pé para a balada ou mesmo para quem já viajou longas distâncias, sabe que o caminhar físico leva também ao caminhar mental, sabe que um assunto puxao outro, mesmo dentro da cabeça da gente, ao percorrer a cidade percorremos também o labirintos de nós mesmos.

O Otto sacou tudo, amigos.


Há todo um gênero de filmes que se baseia exclusicamente nessa premissa: Os road movies. A viagem é a mais clássica metáfora para a jornada do heróis (Joseph Campbell, eu te amo). Revoluções nasceram de viagens. Estilos literários nasceram de viagens. Até nações já nasceram de viagens, míticas ou reais. Nada substitui a capacidade deliberativa do que cada passo da sua jornada, cada um deles montando o texto na sua cabeça.

Cada poste é um ponto é uma vírgula, cada esquina um travessão e cada cruzamento um ponto final. Tal e qual Teseu nós vamos desenrolando um novelo de pensamentos conformes nos adentramos no labirinto das ruas, vias e vielas do nosso caminho. elas são, as vezes, o assunto e as vezes funcionam como meros gatilhos de nosso pensamento.

Percorrer as distâncias anestesiado por um volante, um livro, uma revista com certeza ajuda a passar o tempo, ajuda a criar léxico e a compor peças do labirinto que mais tarde a gente pode ir e refazendo, digerindo aos poucos tudo aquilo em mais um caminhada.

Não são poucos os músicos, pintores, escritores que eu já vi declararem que tem suas melhores idéias caminhando, e a maioria deles leva por isso alguma forma da anotar essas idéias: uim gravador, um bloco de papel, um netbook (tempos modernos queridos pregos, tempos modernos), tem inclusive uma marca de material escolar que é famoso por seu bloquinho de anotações justamente partindo dessa premissa.

Mas andar cança, barbudão! Cansa sim, mas veja bem: viver cansa, vida é esforço preguinho lindjo. E pensar também cansa. A única coisa que não cansa, aparentemente, é ser palerma. Mas eu tenho as minhas dúvidas.

Há poucas maneiras de se deixar a mente viajar melhores que fazer uma atividade repetitiva que não exige atenção extrema (eu consigo fazer isso com qualquer atividade, mas acho que isso é um leve toque de TDHD). Esse post foi bolado todo enquanto eu lavava louça e arrumava a minha cozinha. E um pouco também caminhando para casa depois do trampo.

A cidade não pára, a cidade só cresce e você tem duas opções: Caminhar e cantar e seguir a canção. Ou esperar o dia que virá, a canção que virá, a ideia que virá.

Persiga com todas as suas forças pregos, pois mesmo parados no mesmo lugar conseguimos caminhar.

PS: o tungstênio é usado para fabricar o filamento da lâmpada, apesar dos gases que a fazer emitir luz possam variar.

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Uma resposta para “As luzes de tungstênio (ou libertação andarilha)

  1. Acho que eu não li esse texto e alguns outros, pois trampava um bocado na época. Esse é legal. Ser palerma cansa, mas o cansaço parece ser também o único limite. De fato, pegar o instrumentinho lá, não dá certo sem ter as idéias andando de bike, longboard ou o que seja. Lendo e vendo filmes, acho que nunca tive nenhuma idéia que ficasse à vontade de usar. Taí uma coisa que talvez devesse tentar, ou já fiz muito e esqueci, lesado que sou.

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