E agora José? (ou o PS das 9 teses)

Beleza bigode, tu terminou as 9 teses, e agora? Agora acabaram as gracinhas, os spams, fecha o blog, passa a régua?

Não, camarada prego, de maneira alguma. Agora esse blog se dedicará a crônicas, críticas, editoriais e coisas a fim. Porque é sobre isso que se trata esse blog.

As teses nasceram para justamente nortear o tom e o futuro conteúdo da conversa, não para ser, por si só, a conversa. As nove teses inauguram o blog, não são seu único conteúdo. É como ano um: introduz, dá o tom e deixa o bonde andar.

O bonde vai andar, estive ausente por motivos de trampo, muito trampo. Por isso ficou essas duas semanas sem posts por aqui.

MAS o blog não acabou, nem acabará tão cedo. Temos muito o que conversar ainda, e falaremos sobre o que, pregos? Sobre vários assuntos que preenchem o nosso cotidiano, de uma maneira ou de outra, em maior ou menor importância.

Então apertem os cintos, que ainda tem muitas voltas na montanha russa.

Um aviso dos nossos patrocinadores...

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As luzes de tungstênio (ou libertação andarilha)

Para quem já voltou a pé da balada, para quem já foi a pé para a balada ou mesmo para quem já viajou longas distâncias, sabe que o caminhar físico leva também ao caminhar mental, sabe que um assunto puxao outro, mesmo dentro da cabeça da gente, ao percorrer a cidade percorremos também o labirintos de nós mesmos.

O Otto sacou tudo, amigos.


Há todo um gênero de filmes que se baseia exclusicamente nessa premissa: Os road movies. A viagem é a mais clássica metáfora para a jornada do heróis (Joseph Campbell, eu te amo). Revoluções nasceram de viagens. Estilos literários nasceram de viagens. Até nações já nasceram de viagens, míticas ou reais. Nada substitui a capacidade deliberativa do que cada passo da sua jornada, cada um deles montando o texto na sua cabeça.

Cada poste é um ponto é uma vírgula, cada esquina um travessão e cada cruzamento um ponto final. Tal e qual Teseu nós vamos desenrolando um novelo de pensamentos conformes nos adentramos no labirinto das ruas, vias e vielas do nosso caminho. elas são, as vezes, o assunto e as vezes funcionam como meros gatilhos de nosso pensamento.

Percorrer as distâncias anestesiado por um volante, um livro, uma revista com certeza ajuda a passar o tempo, ajuda a criar léxico e a compor peças do labirinto que mais tarde a gente pode ir e refazendo, digerindo aos poucos tudo aquilo em mais um caminhada.

Não são poucos os músicos, pintores, escritores que eu já vi declararem que tem suas melhores idéias caminhando, e a maioria deles leva por isso alguma forma da anotar essas idéias: uim gravador, um bloco de papel, um netbook (tempos modernos queridos pregos, tempos modernos), tem inclusive uma marca de material escolar que é famoso por seu bloquinho de anotações justamente partindo dessa premissa.

Mas andar cança, barbudão! Cansa sim, mas veja bem: viver cansa, vida é esforço preguinho lindjo. E pensar também cansa. A única coisa que não cansa, aparentemente, é ser palerma. Mas eu tenho as minhas dúvidas.

Há poucas maneiras de se deixar a mente viajar melhores que fazer uma atividade repetitiva que não exige atenção extrema (eu consigo fazer isso com qualquer atividade, mas acho que isso é um leve toque de TDHD). Esse post foi bolado todo enquanto eu lavava louça e arrumava a minha cozinha. E um pouco também caminhando para casa depois do trampo.

A cidade não pára, a cidade só cresce e você tem duas opções: Caminhar e cantar e seguir a canção. Ou esperar o dia que virá, a canção que virá, a ideia que virá.

Persiga com todas as suas forças pregos, pois mesmo parados no mesmo lugar conseguimos caminhar.

PS: o tungstênio é usado para fabricar o filamento da lâmpada, apesar dos gases que a fazer emitir luz possam variar.

A filosofia [pós] moderna do Sly (ou como eu chorei assistindo Rambo)

Antes de qualquer coisa, assistam o vídeo abaixo. Entrega o final, então tem “spoiler”; mas o filme é de 1982 e sem assistir essa cena toda a nossa conversa vai ser absolutamente sem pé nem cabeça.

Assistiu?Não? Volta e assiste. Pronto, agora a gente pode continuar.

Isso se chama síndrome do stress continuado, no meio militar é conhecido como fadiga de combate e sempre a conheci como Síndrome de Rambo. Isso aí acontece com quase todos os combatentes da linha de frente (exclui-se aqui e quem fica aquartelado e a maior parte dos oficiais), notadamente após a guerra do vietnã. Muitos são os motivos que uma guerra apresenta para nos desestabilizar emocionalmente completamente, mas aqui você encontra um artigo bem mais bacana e mais explicativo do que é, de onde vem e como combater. Leia, vale a pena.
Vamos tentar estabelecer uma linha do tempo: Um jovem é convocado àguerra, uma guerra que ele não escolheu nem existir nem combater, mas ainda sim ele foi enviado para lá. Notem que ele fala ao oficial:

“Você me pediu para ir, eu não pedi a você!”

Uma vez assimilado aos quadros regulares ele é treinado para ser um soldado de infantaria (para quem não sabe, infantaria é quem fica no chão com o fuzil e o c* na mão, enfrentando o exército cara a cara), a partir disso é treinado para entrar num unidade de elite, então todos são enviados para dentro da selva vietnamita, lá eles vão morrendo um a um até sobrar apenas o Rambo, aí ele é dispensado (finalmente, não?).

Agora, voltando para casa, voltando para o país que ele serviu, e a gente pode até discordar desse pensamento, mas para um soldado ele serve ao seu país, a alternativa a isso é pensar que se está dano a vida por nada; assim que pisa no chão do aeroporto manifestantes o xingam e cospem nele, como se ele, individualmente fosse o culpado. Essa é uma grande sacada e que vai ajudar a entender o que acaba por acontecer com nosso querido John.

De volta para casa, veterano de guerra, soldado altamente treinado, o que acontece? Ele fica desempregado e deixa de ser bem vindo em qualquer lugar, restando apenas a opção de fazer bicos aqui e ali, e viver quase como um mendigo, aí ele é preso simplesmente por estar passando por uma cidade e o xerife não ir com a cara dele.

Aí a porca torce o rabo. Muito.

Retomar a linha do tempo é importante para entender a lógica desse personagem. Temos muito pouca informação sobre quem ele era antes de ir para o exército, mas dá para imaginar que ele não tenha uma família muito estruturada, não tenha uma profissão além de soldado e nem um local para voltar; porque qualquer uma dessas coisas o colocaria num local, amparado e auxiliado e não vagando por aí. A escolha por pessoas assim para engrossar fileiras também é fundamental: não tendo nada além disso, o exército se torna seu universo e não tendo ninguém esperando-os em casa, não há quem sentirá falta delas.

A grande sacada do filme para mim é a parte mais simples de sua história, na verdade, o seu ponto de partida: um homem que viu seus amigos morrerem, foi criticado, abandonado não consegue emprego nem de lavador de carros e é atormentado por um dos conflitos armados mais desumanos que se conhece, essa é uma história das mais interessantes para contar, e sua beleza reside em seu horror: Por mais que fosse uma merda matar pessoas, por mais que fosse horrível aquilo, lá ele era alguém, tinha um papel e era reconhecido por isso, era um homem, tinha sua dignidade, aqui, longe do front (que nem existe mais), no meio de pessoas que desaprovam não só o que ele fez, mas que ele é, que desaprovam sua própria existência, esse é um homem que não tem mais nada, nem passado (que lhe é negado), nem presente e nenhuma perspectiva de futuro.

Há quem diga quem em A Metamorfose Kafka criou a perfeita metáfora do homem moderno (ou pós moderno, depende da escola de quem faz a crítica): um homem impotente, transformado em algo sobre o qual não tem controle, isolado, rejeitado pelos seus pares, vivendo de restos até definhar para a morte. Beleza, entendo o que querem dizer, entendo de verdade, mas um cara virando inseto está longe de ter o mesmo poder que um guerreira sem guerra para lutar.

Essa cena final destrói tudo o que a gente viu nas telas durante o filme: aquele não é um homem frio, um homem que não se importa com nada, duro feito pedra e mais mal que o picapau, aquele é um homem atormentado por lembranças que ele não pediu para ter, numa guerra que ele não pediu para existir e perderam por motivos que ele não compreende, nada naquele mundo lhe pertence, ele não é senhor nem de suas ações, nunca foi, e está tentando ser (Alô, Joseph Campbell!), quer, no fundo apenas ficar em paz, apenas descançar, quer apenas esquecer e ser esquecido. Mas não consegue, tanto por incapacidade quanto por falta de oportunidade para isso.

John Rambo é a metáfora de crescer do jovem, é a metáfora do bully na sua escola, do seu chefe escroto, de tudo aquilo que não se importa quem você é, nem importa o que você quer, mas que vai te usar, mastigar e cuspir fora, sem se importar nem um pouco com o local onde você vai cair.

PS: Não concordo com a guerra do vietnã, nem nenhuma outra guerra e sei que há elemento de propagando política dentro do filme, mas tanto um elemento quanto o outro são secundários aqui, estamos conversando sobre a dinâmica social do personagem, não das implicações políticas da obra na qual ele está inserido. Claro que não se pode esquecê-las, mas não é foco da análise aqui.

Musica para mim é terapia (ou entendendo o Nirvana como uma saída da realidade)

Catarse, sacou?

Pra mim música sempre foi como terapia. Catarse assim.

Não que eu fique lá, destilando escalas, como se isso fosse qualquer coisa que preste. Nunca liguei pra tocar rápido. Um monte de notas para mim sempre foi só isso: um monte de notas.

Não, não eu.

Quando comecei gostava de barulho, de intensidade, daquela parede de ruído e estrondo que só punkrockhardcore dá pra gente. Aquela coisa alucinada, intensa. Rodas e rodas de pogo, litros de suor escorreram para liberar toda a aquela energia. Esse sempre foi o lance do rock para mim: essa despreocupação, esse fuck off que deixa a gente ficar numa mesma nota sem se importar com nada, simplesmente tocar e tocar até ficar acabado.

Esse é o lance que o prog, os metais mais “orquestrais” perderam da beleza do Chuck Berry, do Jerry Lee Lewis: Roll over Beethoven, conhecem? Ficar medindo notas, equalizando tudo bonitinho é a coisa mais anti rock and roll que existe. Um pouco rock sempre está meio errado, sempre respira asfalto, sempre tá afim dum Chicken Race, nunca de discutir os conceitos por trás de um solo de guitarra. Muito menos se ele durar 8 minutos. Cadê a intensidade disso? onde entra a catarse? Nem entrarei em méritos qualitataivos.

The Father


Rock é limitado, toda formula é limitada. Não conheço nenhum estilo/ gênero/ modo que exprima todo tipo de sentimento. Não é assim que essas coisas acontecem. É só olhar o samba, o maracatu, o jazz, a ciranda: elas dizem respeito a universo finitos, como são todos os nossos universos; tem um limite o número de coisas que gente experimenta. Num tem jeito. Somos pregos, mesmo sendo pregos musicais, somos pregos.

Sempre se pode tentar ler, assistir, ver, tocar, provar das coisas mais diferentes, mas ainda sim, num dá para experimentar tudo. Um dos grandes lances é trabalhar essa limitação, esse artesanato de praça que todo estilo traz. Musica de Durepoxi sempre me pareceu mais bacana, mais sincera e mais atraente que musica feita em resina, colocada no molde, estruturada e montada sem rebarbas.

Ser limitado é uma condição que não podemos fugir, somos todos seres humanos e arte é apenas uma das nossas manifestações, portanto é necessariamente limitada. No entanto não precisamos impor barreiras nas nossas mentes mais do que elas já têm: podemos tentar fazer as coisas diferentes, experimentar novos timbre e sabores, tentar ver o que acontece se a gente ao invés de fazer daquele jeitinho, fizer de outro, só por capricho.

O templo

Essa é a maior lição que o punk rock me ensinou: Do ti yourself, right? So do it your way. É sério, prestem atenção: A maioria da primeira geração punk difere muito entre si: de Blondie a Television, de Stooges a Clash, passando por Ramones e Sex Pistols. Nenhum deles tinha adotado uma fórmula estética (toque assim, toque assado, faça desse ou daquele jeito – Todos eles apenas queriam se expressar, e tinham sentimentos parecidos quanto ao mundo, daí suas semelhanças)

Robert Johnson foi por aí também: Pegou as três quatro notas que sabia e esmerilhou no violão. Destruiu tanto que ninguém acreditava que aquilo fosse possível, que dava pra tocar daquele jeito. Na verdade a coisa em si era bem simples, assim uns acordes meio errados, uma liberdade com a fórmula e a capacidade de fazer aquilo soar muito, muito bem. Ele não precisou reinventar a roda, nem dizer que a música dos outros era pobre, ele tocou bem e destruiu. Porque pegou três ou quatro elementos que conhecia e os explorou, deixou sair de dentro dele toda aquela sensibilidade que tornava a tudo até então obsoleto, mesmo que fosse quase ali, mesmo que ainda fosse durepoxi.

Outros mestres foram por aí também. Cartola é de longe um dos maiores poetas, tão avançado que demorou anos a ser reconhecido (que pesem aqui o racismo e o classicismo da indústria brasileira de música, que sempre foi e ainda é estúpida e nojenta) e tudo o que ele fazia era simplesmente contar o que via, da melhor maneira que podia, polindo notas, polindo a voz, até quase não lhe sobrar voz para polir. Não que um dia tivesse grande alcance: Fazia o que podia com praticamente uma oitava só, ou algo assim.

Posso exemplificar eternamente, exemplos não sobram de caras que fizeram muito com muito, muito pouco. Os 4 garotos de Liverpool, o caipira do Bixiga, os homens da Estácio. Exemplos abundam de grandes músicas e músicos que sempre foram capazes de superar suas limitações não enchendo de glacê, ou “eruditando” sua música, mas mergulhando dentro dela e dentro de si, para dali tirar suas mais belas pérolas.

Acho que o gosto mesmo é de sair de alma lavada de um show, de um disco. Quando eu ponho um disco (e pros descoladinhos de plantão que pensaram “ele fala ‘disco'”, bem… não me importa a sua opinião) eu quero sentir toda a atmosfera contida ali. Quando o disco acaba é como acordar de novo.

Quantas das minhas mais profundas convicções de mundo foram alteradas por discos? Quase todas, eu acho.

A liberdade de um Bloco do eu Sozinho, a sinceridade de um Is This It, a urgência de Ramones, a musica flutuante do Futura, a beleza singela do Chega de Saudade, a chapação intensa de Bad Donato. Cada um desses discos, assim como muitos outros, me desafiaram a rever algumas coisas, e jogar fora outras e a adotar coisas novas.

Acho que boa música é pra mim catarse e troca. Expulso tudo de mim, deixo um pouco daquilo de fora, e quando retomo, um pouco, ao menos uma centelha daquela música, volta para dentro de mim com o resto.

Sempre espero que seja assim a cada vez que ouço um disco novo.

Verdade ou ficção? (ou A dança do patinho)

Eu não roubo no troco, não corto fila, tento ser educado com todos, tento sempre fazer o que acredito ser o certo. Mesmo que tudo em volto buzine e berre e grite na direção oposta.

Não faço o que faço por um imperativo categórico, por medo de uma punição metafísica ou esperando uma recompensa do universo por essas coisas, eu simplesmente faço o que eu acredito ser a melhor coisa a ser feita, independente de fatores externos.

Acredito na democracia, na igualdade, na bondade, na possibilidade de melhoria, na liberdade de todos, na inevitabilidade da mudança, na necessidade de lutar por tudo isso também. Nem sempre é fácil, nem sempre isso é reconfortante também. Nenhuma dessas convicções advém de uma fé cega e infantil em uma mão invisível que controla tudo quando se quer, mas no estudo, na reflexão, no empirismo e, inevitavelmente, em uma certa ingenuidade em crer, necessária para não me tornar absolutamente cínico.

Apresento-lhes a Cultura

Tudo isso monta as lentes com que eu olho o mundo. é inevitável colocar tudo isso na balança a cada notícia, a cada escolha que sou confrontado. Isso serve para todos nós, não há quem não possua nenhuma convicção, seja ela qual for, seja ela razoável ou não, alguma convicção há e todos nos baseamos nelas para guiar a nossa vida, para podermos lidar com a realidade de alguma forma.

Mas essas lentes, montadas ao longo dos anos sobre nossos olhos, elas realçam, filtram ou distorcem a realidade? O quanto não deixamos de ver, de ouvir, de sentir e entender porque nossas lentes não nos deixam ver algo como ele realmente é? A lentes nos possibilitam entender o mundo, sem toda essa bagagem somos como crianças recém nascidas, incapazes de entender o mundo, ainda que, talvez, muito mais capazes de enxergá-lo.

Trocaria algumas palavras, talvez algumas posições hoje não façam mais sentido, mas o grande Bernardo, um dos maiores cronistas urbanos do nosso tempo, conseguiu resumir tudo isso aqui:

A questão é que temos uma escolha muito simples em nossas vidas: acreditar que o que é fácil é bom, o que é conveniente é o certo e o cômodo é o honroso. Ou realmente levar a sério as nossas convicções, e arcar com as consequências delas, sejam boas ou más, físicas ou metafísicas.

JCVD como confirmação da teoria do nada (ou Como que pode ser tão chato)

O nada é uma impossibilidade física.

O nada não pode ocupar lugar no espaço, ou seria matéria. Não pode ter cor, não pode ter volume. O nada não pode ter movimento, massa, área ou comprimento.

A mera ausência de matéria não é O NADA, é o Vácuo. E nem mesmo o vácuo é muito tolerado: a matéria sempre teima em querer equilibrar as coisas e preenchê-lo.

O nada, por sua própria definição, não existe, e se existisse deixaria de ser nada e seria algo.

Ele pagando de soldado veterano boladão.

E, mesmo assim, existe Jean Claude Van Damme, os filmes do JVCD, os personagens do JVCD e principalmente o JVCD em si e por si só. Mas justiça seja feita: o Grande Dragão Branco é um puta filme, mas nem a história, nem o personagem são do Van Damme, mas pertencem antes à realidade, são algo em si e por si só.

Excetuando-se essa obra, o que mais pode ser dito a favor do sujeito? Timecop é seu maior sucesso. TIMECOP. Seu maior personagem, sua melhor atuação é um soldado-mendigo-atormentadopelaguerra. Alô!? Stallone, mostra para ele como fazer direito isso aí.

Caímos então no paradoxo do início desse texto: JVCD existe, ele está lá registrado em película para toda a posteridade, assim como os desenhos do Liefeld, e no entanto, mesmo assim, aquilo é nada. Não é, de nenhuma maneira, o vácuo: um vazio espacial sensível a ser preenchido, não não, JVCD vai muito além disso, conseguindo a façanha mór de estar na tela mas não ocupá-la, de encarnar grandes personagens e mantê-los absolutamente vazio, de transformar filmes que poderiam ser grandes e históricos em meras fitas de sessão da tarde.

Um verdadeiro soldado veterano boladão!

Jean Claude está além do vácuo, pois não pode ser preenchido por matéria, mas sim capaz de anulá-la.

O Grande Dragão Branco é imutável, irretocavel e incontinuável. Há ali todo o resumo e se o “ator” tivesse vindo ao mundo apenas para encenar aquele papel, teria feito sua contribuição à humanidade, tornado o mundo um lugar melhor e depois partido. Teria alcançado patamares inlcalculáveis para, a partir disso, se tornando um homem muito maior que sua estatura indicaria de incio. Mas não, ele insiste, ainda hoje, ele insiste.

Nenhum filme de Van Damme me emocionou ou se tornou minimamente memorável. A não é claro por ser uma catástrofe que beira a Hecatombe. E por algum motivo que me escapa ele ainda faz filmes, meu deus do céu!

Não há o que acrescentar. Mesmo. A não ser o unico momento memorável que prova a existência irrefutável do NADA

Acesso ao código fonte (ou Let me see the matrix)

Infelizmente, meu querido e insistente prego, a vida não é software livre, você não tem acesso ao código fonte e não tem reprogramar as coisas.

As coisas estão assim, estavam assim quando a gente chegou tentando descobrir tudo pela nossa interface, talvez ainda estejam assim ainda por um bom tem. (Note que evito dizer que elas são de um jeito, e principalmente que sempre serão, a história mostra as mudanças constantes nas sociedades humanas, apesar de muitos adorarem entoar, quando não ter argumentação embasada e objetivo, que as coisas sempre foram e sempre serão exatamente como são hoje)

Mais de uma vez na vida a gente senta no nosso canto e pensa: Será que isso é verdade? Quantas histórias absolutamente contraditórias a gente não conhece? E é absolutamente impossível de se chegar e afirmar com 100% de certeza: Essa aqui é a verdadeira, a outra é uma layout enganador.

Não estou falando de fatos históricos documentados. Estou falando exatamente daquele tênue espaço que existe entre a ideologia, a filosofia e a pura invencionice. Estou falando muito mais de moral do que de leis, muito mais de convicções sociais do que dados científicos.

Todas as “verdades” são assim: Nem tão verdadeiras assim. A gente só tem acesso ao layout, as ferramentas, não tem um botão do lado esquerdo da mente, que a gente clica e escolhe “Exibir código fonte” – Isso não rola.

Tive um grande professor no colégio que dizia que a humanidade sempre usa lentes para olhar a realidade, que é impossível olhar a olho nu. E que o nome que damos a diversas lentes com as quais olhamos chama-se cultura. Elas viram de forma, tamanho, capacidade de análise e durabilidade, mas invariavelmente estão lá, nos ajudando e ao mesmo tempo atrapalhando a nossa visão da realidade.

E agora bigode? Não temos acesso ao código fonte, o que fazer? O melhor navegador de realidade tá dentro da sua cabeça, prego. Use todas as ferramentas que puder. Parece simples mas não é. As pessoas, em sua maioria, tem preguiça de pensar. É mais fácil ser ovelha. Sempre foi e sempre será.

O pensamento próprio é muito mais difícil de manter, de sustentar, de criar que o pensamento de rebanho: Porque discordar? Porque questionar? Porque tentar? Por apenas não apenas seguir? Por que não ovelhas? Por que não: “faça como lhe foi dito” e apenas isso? Por que não. Precisa mesmo explicar?

Não temos acesso ao código fonte… é verdade.

Mas ainda não somos ovelhas.