A jornada do herói pt 2 (ou Luke, eu sou Spartacus)

Primeiro peço desculpas pela demoa nas atualizações. As coisas foram se atropelando a acabei tendo que deixar o blog de lado. Tem o tumblr para culpar também, mas não vamos ficar apontando dedos, ok? Vamos só seguir em frente, vamos mergulhar na nossa jornada.

Apesar de ter passado quase um mês desde que escrevi o ultimo post, ainda tenho tudo muito fresco na cabeça (até porque já assisti a Spartacus umas 20 vezes) e sei como continuar, mas quem se esqueceu da uma olhadinha no post abaixo, é rapidinho, depois volte e continuaremos,

E onde paramos? Qual é o primeiro passo na jornada do herói? O que é necessário fazer para que se dê o primeiro ponto da virada e que arcano vem agora?

Paramos aqui, se bem me lembro:

Agora vem o tolo amigos. Aquele que acha que sabe, mas não sabe nada. Agora Spartacus começa a sua jornada, e ela será cheia de coisas grandes e infelizes. Qual o primeiro inimigo do tolo? Qual o grande inimigo da jornada? Ficar parado. Não caminhar, não sair do lugar. Esse é o maior de todos os perigos.
Spartacus começa a sua jornada não querendo caminhar, não vendo motivos para isso, na verdade. Ele perdeu sua aldeia, perdeu sua liberdade, perdeu seu orgulho e mais importante do que tudo isso: perdeu Sura.

Sura é sua mulher. Sura é seu amor. Cara, é um lance tão grande que ele tem os peito de mandar Roma a merda, capotar um general romano e voltar para casa, para sua Sura. É interessante ver que ele não quer a liberdade, não quer vingança, ao menos a princípio, ele quer apenas o bem estar de sua esposa, ele quer apenas o bem estar de seu amor. E não dará um passo em nenhuma outra direção. Ele se recusa a inciar sua jornada, até saber que no fim dela Sura estará lá.

Vamos fazer um acordo? Você me dá dinheiro lutando, eu te dou sua mulher.

MAS uma jornada não sobre chegar, nem sobre partir, uma jornada é sobre o caminhar. Todo motociclista sabe disso. Mas Spartacus não vê a jornada, ele só vê a linha de largada, isso o torna apressado, imprudente e destrói tudo quando ele perde na arena. Sim, terceiro episódio e o nosso herói tá fudido e mal pago, sem dinheiro, sem mulher, sem liberdade, sem nem a vida de gladiador mais. Tolo. É necessário aprender, é necessário se aceitar a jornada para poder cumprí-la. Nas palavras de Quintus Batiatus:

Um homem deve aceitar seu destino, ou ser destruído por ele

Syd Field vai nos lembrar o tempo todo que apesar de um grande roteiro só ter necessariamente 2 grandes pontos de virada, é necessário prepará-lo, é necessário manter o espectador interessado, é necessário manter as reviravoltas acontencendo. E os roteiristas aprederam isso muito bem. Partimos, em 4 episódios, de um guerreiro orgulhoso, quase um general de seu povo, para um escravo semi enlouquecido, penitente, quase desistindo da vida em si. Essa é a primeira transformação pela qual Spartacuts vai passar. Ele ainda é um tolo, ainda não compreendeu o jogo, ainda não aceita jogar, mas as peças se moveram, ele caiu até as lutas ilegais e sanguinárias dos subterrâneos da República (adoro o fato de Roma ainda se chamar república mas ser, de fato, um império).

Uma outra professora minha uma vez explicou que a estrutura de um seriado se parece muito mais com varal do que com uma linha, como são os filmes. Cada episódio seria uma linha completa na vertical, e a temporada ou o seriado em si, uma outra linha horizontal sobre a qual estariam pendurados a linha dramática de cada episódio. Dessa forma cada episódio o herói atravessa sua própria jornada, podendo voltar ao ponto de origem ou seguir em frente, dando mais um passo dentro da grande caminhada. Fez sentido? Esepero que sim.

A um ponto de virada que vem pela sorte, praticamente, quando nosso heróis se encontra em maus lençóies e quase desistente, de tudo. Volta a ser um gladiado, abandona as lutas ilegais e de cara é escolhido para a fazer a luta principal. É mais ou menos como sair da terceira divisão para disputar o mundial, de cara.

E o que acontece? Bem, isso aqui acontece:

Agora ele é campeão da porra toda, tá por cima da carne seca, vai poder recuperar a sua Sura, talvez comprar sua liberdade, certo?

Hmmmm, errado. Agora ele chegou ao meio de sua jornada, e como toda boa história épica, essa aqui também é uma trilogia. Até a parte 3.